terça-feira, agosto 31, 2004

A importância de ser do Ramo de Termodinâmica

A forma de ensino universitário cá, é bem diferente da forma européia, pois aqui, toda gente pode estagiar e funcionar como formação no curso. A licenciatura cá, têm um número total de créditos para serem feitos ( Num vasto leque de cadeiras para serem seleccionadas) e tal como em Portugal os alunos tendem a evitar a maior especialização no seu curso em Termodinâmica e irem para mais o ramo de Produção.
A vantagem de ser de Engenharia Mecânica, ramo de termodinâmica e com a permissão do meu coordenador em Portugal, foi possível abraçar um projecto com alguns anos de investigação em várias faculdades espalhadas por todo o mundo, sendo este um projecto de modulação e mecânica computacional em combustão. Permite-me assim ter equivalência á cadeira em Portugal de combustão, trata-se de um projecto bastante prestigiante (Muito bom para o currículo) e além do mais sou renumerado, uns trocos, mas dão sempre jeito. O professor responsável, o professor Luís Fernando, já demonstrou a complexidade deste estudo mas também o interesse que este têm, com uma calma e forma entusiasta, têm me dado “aulas” particulares de combustão. Além do mais, participo em convenções realizadas na PUC, relativos a este projecto. A escolha da minha pessoa, surgiu por ser aluno finalista, ramo de termo e dado estar a fazer cadeiras de pós-graduação e os alunos finalistas de cá, renegarem a investigação por um estágio, fui facilmente a escolha por parte do professor.
Noutra cadeira que tenho, Turbulência (de Pós-Graduação), demonstrou-se ser bem trabalhosa e complicada, mas também o seria a cadeira que teria no técnico (Aerodinâmica) mas o bom desta cadeira, apareçeu logo na primeira aula em que me vai ser paga a passagem até Porto Alegre (Sul do Brasil, a cerca de 2500/3000 km do Rio), ainda com uma ajuda para os gastos diários, para participar na Escola de Verão de turbulência, durante uma semana, com convênios, laboratórios e por aí fora. Sendo uma oportunidade de conhecer outra cidade do Brasil e com os benefícios em cima ditos. E guardando o melhor para o fim, fui convidado por parte do meu professor do projecto a estagiar na Embraer ( 3ª maior empresa do Brasil, uma das maiores do mundo, relativa a aeronáutica) sendo esta uma oportunidade óptima para ter uma idéia do que se passa numa empresa destas dimensões e além do mais ser uma empresa a qual dificilmente conseguiria aceder em Portugal (mesmo a Tap, não têm aprojecção na aeronáutica como a Embraer têm), mas esta vertente, terá que ficar para o próximo semestre caso eu fique e caso as coisas corram bem.

segunda-feira, agosto 30, 2004

Uma terra de oportunidades e GRANDES contrastes

Pois bem, o Brasil é uma verdadeira terra de oportunidades, a sensação que fico é que nesta terra funciona da simples forma, que quem é rico mais rico fica, e quem é pobre só mais pobre pode ficar. Esta é uma verdadeira terra de contrastes, para o bem e para o mal. Nas ruas de Ipanema descortinam-se lojas de alta sociedade e prestigiadas marcas, mas por vezes encontra-se pobres almas em que a vida foi madrasta, a dormir nos passeios deste bairro bem rico. As discotecas, têm um sistema de segurança que tenta impôr uma sensação de segurança, sendo toda a gente obrigada a mostrar identificação ao entrar e passar por uma rápida revista e pelo detector de metais. Os carros usualmente têm os vidros “fumados”, por vezes impossível de ver para dentro (Ilegal em Portugal), dado que por vezes ocorre muitas “Blitz” ( Operações Stop, penso que se escreva assim), não deixa de ser curioso, que caso um carro com os vidros assim albergue uns fulanos mais duvidosos e sendo este país por vezes um Faroeste, seja legal esta situação.
As histórias e alertas surgem por parte de toda a gente, mas o que realmente é perigoso são os morros, território inimigo e limite para turistas e todos os outros que não pertencem aquele mundo. Mas o Brasil é assim, o luxo anda de mão dada com a pobreza e as pessoas acabam por se habituar, não fosse o ser humano, um animal de fácil adaptação.
Uma das imagens e sensações que mais gosto aqui no Rio, passam-se no calçadão, principalmente ao final de tarde de domingo, quando parte da avenida junto ás praias ficam fechadas, numa imagem dificil de descrever, com largas centenas de pessoas a percorrerem esta mesma avenida, fazendo um jogging, uma bicicleta, seja um desporto qualquer, ou simplesmente andar, descobre-se um misto e compreende-se um pouco esta cultura. Tendo de um lado a praia, pessoas descontraídas e de aspecto “leve” do outro lado, altos prédios e hotéis de infraestruturas modernas e bem ao longe, lá bem longe, descortina-se uma favela, que fazendo vizinhaça com a floresta, demonstra um misto difícil de explicar, dando uma beleza de algo que toda a gente têm idéia de ser algo tão feio. E assim é o Rio, tudo é belo na sua forma, se temos luxo aqui ao lado, temos dificuldades lá bem ao fundo.
Talvez seja difícil de compreender, talvez só mesmo cá estando, mas são estes contrastes, é esta forma de vida, é esta mística que o Rio têm que o faz ser tão belo e encantar qualquer um, não fosse ela a Cidade Maravilhosa... Cheia de Encantos mil...

quinta-feira, agosto 12, 2004

O verdadeiro perigo no Rio de Janeiro... a condução carioca

Mais umas quantas aulas, de referir é a eficácia dos autocarros cá os "ônibus", passam com uma regularidade óptima, a qual não deixa o utilizador estar á espera mais de 5/6 minutos. O trânsito é que por vezes nos deixa a pensar que somos uns "meninos" a conduzir comparado com estes "perigosos", é que, semáforos, regras de condução entre outras coisas, por vezes passam ao lado destes pilotos. De surpreender é ainda não ter visto nenhum acidente, bom, o povo carioca lá se entende... Em relação ao perigo tão apregoado, pelo menos na zona onde nos encontramos, tirando o avistamento de um ou outro mais duvidoso, felizmente não tivémos problemas nenhuns, inclusivé andamos por horas tardias na rua e sinto-me seguro. Mesmo assim somos avisados e também não pretendemos facilitar em relação á segurança, já o velho ditado diz mais vale prevenir...

quarta-feira, agosto 11, 2004

Primeiro dia de aulas... "Ricas férias"...

Sem tempo de apreciar um tempinho para nós de férias, organizamo-nos para irmos para o nosso primeiro dia de aulas, o meu primeiro martírio é a turbulência, a qual me dará correspondência á aerodinâmica no IST, e depois de uma breve introdução por parte da Professora Ângela Nieckelle, desvendo o meu sotaque bem lusitano e alfacinha, para uma breve introdução de mim e do meu país. Sem avançarmos muito, fica marcada uma visita obrigatória nesta cadeira, á Escola de TurbuLência de Primavera 2004, este ano realizada em Porto Alegre.
Esta visita, subsidiada pela própria professora, é situada bem a sul do Brasil, a uns prováveis 2000km do rio de Janeiro. Apanhado de surpresa, faço contas á vida. Através de uma aula de apresentação suportada por a projecção de imagens e vídeos por um computador, esta desenrolasse de uma forma tranquila e relaxada.
No intervalo da mesma, estabeleço amizade com um "nativo" carioca, o João Carneiro, descendente de suiço, alemão e lá está português. O João foi uma boa surpresa, tal como todos os que estão a estudar turbulência, esta cadeira é dirigida a alunos de pós-graduação, a qual o João com este semestre a concluí.
Numa forma bem prestável, amigável e extrema paciência, encontramos com o André que entretanto também finalizou as aulas e o João, apresenta-nos então o campus da PUC.

segunda-feira, agosto 09, 2004

Os domingos são iguais seja onde for...

Neste dia apenas, deu para receber o Benjamin, discutir alguns promenores de pessoas que vão viver juntas, de resto um domingo é sempre um domingo, seja aqui, em Portugal ou na China.
Infelizmente não temos oportunidade para dirigir á praia pois o tempo decidiu aprontar das suas, chuvoso, mas de temperatura amena, corta-nos as asas e as intenções de uma praia ou de uma visita a algum lado.
Fazemos o nosso primeiro jantar em casa, um Bife de atum com cebolada, preparado aqui pelo chef Gonçalo, não sou de falsas modéstias, e que este menino cozinha bem para caramba, á isso cozinha.

domingo, agosto 08, 2004

O programa de Intercâmbio

Acordamos bem cedo para nos encontrarmos com a nossa coordenadora para a nossa viagem planeada para os alunos nas mesmas condições que nós, aqui temos um "cheirinho" da projecção internacional que esta faculdade têm com este programa, apesar de não terem aparecido os alunos que supostamente deveriam, formousse um "pequeno" grupo de cerca de 30 pessoas, com nacionalidades como a nossa Portuguesa, Espanhola, Uruguaia, alemã, norte-americana, francesa, entre outras. Temos contacto com os nossos compatriotas estudantes de coimbra. Desta visita, podemos disfrutar do maior estádio do mundo, num tempo não muito distante, com uma capacidade de 140 mil pessoas, e agora com uns "míseros" 120 mil lugares.

Na visita, dirigimo-nos ao sambódromo,

casa do carnaval mais famoso e turístico do Mundo, a base do monte do pão-de-açucar e por fim do parque nacional da floresta da Tijuca. Entre vários panos de fundo, avista-se favelas nos morros como a da rocinha ( a maior ), a da mangueira e outras.


Mas esta visita resulta mais para estabelecer novas amizades e nos ambientarmos. Além do mais, arranjamos um colega para partilhar o apartamento, o Benjamin, de 21 anos e nacionalidade francesa. Tímido, desligado e bem novo.De regresso a casa, mostramos a casa ao benjamin e apesar de um dia já longo ainda tivemos espiríto e vontade para conhecer a diversão nocturna carioca, num jantar vasto e bem condimentado eu e o André, decidimos conhecer a "Kapital" lá do sítio, a Baronetti. Cheio de gente nova e bonita, esta discoteca marcou pontos, apesar de bem cara, mais cara que uma noite em Lisboa, mas afinal tinhamos que começar por algum lado

sábado, agosto 07, 2004

Uma segunda oportunidade... obrigatória

O que nós sofremos:



Segundo Quarto
Casa de Banho
Casa deBanho

Cozinha
Corredor
Quarto Principal
A Linda rua de Ipanema
... e o outro lado

Do primeiro dia de procura, a resumiu-se á idéia que copacabana era cara então Ipanema ou Leblon ainda seria mais caro ainda, pois Ipanema trata-se do bairro mais caro de todo o Brasil.
Mesmo assim tentamos a nossa sorte e dirigimos ás agências em Ipanema, e da visita resulta...
amor á primeira vista... uma lufada de ar fresco, qual cena tirada de filmes de Hollywood do Bairro de Beverly Hills, qual cantinho de mundo avançado e com estilo. Em Ipanema, toma-mos contacto com marcas como Louis vuiton, Mont Blanc, as pedras preciosas H. Stern, entre tantas outras marcas de uma avenida como a americana hollywood Boulevard. ( Penso que se escreva assim )
Ipanema, é o oposto de Copacabana, locais requintados, clara e limpa, gente bonita e espírito acolhedor e com estilo. Sim, aqui sim, a impressão começa a mudar, num dia quente e ensolorado, tomamos Contacto com um local encantador. Dada á minha insistência e sem queres desvendar tudo, não nos dirigimos ainda á praia, que ali se encontra a uns 50 metros, só quando estivermos fixos e de cabeça descansada é que poderemos desvendar tais aclamadas praias.
De uma agência Ipanema, resume-se a que os operadores imobiliários de copacabana, gostam de se aproveitar dos turistas e que apesar de não chegar nem se quer perto de um apartamento satisfatório, encontramos o nosso primeiro apartamento no Rio, com um WC e uma cozinha miníma e restantes áreas proporcionais a estas.
Mas em termos de localização não poderia ser melhor, temos tudo e mais alguma coisa ao pé, de retorno ao hotel, começamos a tratar da nossa mudança, através do trânsito o nosso taxista levamos pelo calçadão, estrada junto á praia, e deparamos com um areal interminável e pequenos ilhéus como pano de fundo, desta praia de águas e areal convidativo.
Com a noite já a cair e cansados da operação relâmpago para encontrar a nossa casa, vamos almoçar.Aqui sentimos que temos algum poder de compra, e que a comparar com um restaurante na nossa pátria saíria bem mais caro. De uma refeição óptima e com uns belos sucos naturais, começamos a esboçar os primeiros sorrisos e deixarnos encantar por esta terra.

sexta-feira, agosto 06, 2004

O Amanhecer dos "descobrimentos"

Tal como a invistida dos portugueses á mais de 500 anos atrás nestas terras, rápidamente fazemos jus ao titulo de colonizadores e partimos á conquista desta cidade, através de perguntas e espiríto de "desenrascanço" metemo-nos num ônibus (autocarro) de encontro á faculdade acolhedora destes dois alunos do IST, através de umas indicações melhores e outras piores, lá deparamos com a "nossa" nova faculdade.
Estabelecemos o primeiro contacto com a nossa coordenadora Linda Sousa e ficamos com uma idéia da Pontíficia Universidade Católica do Rio de Janeiro, a PUC.
De volta ao hotel, para uma boa e rica refeição, dá tempo para comentar a idéia do que se viu no percurso de retorno e as primeiras impressões da cidade no seu estado diurno, mas sem dados ainda para estabelecer uma idéia, ou poder comentar a cidade afitriã dessa nova experiência. No ínicio da tarde procuramos a nossa casa e aí começa... a desilusão?!?! Copacabana não demonstra nenhum espírito acolhedor, têm um aspecto muito escuro, sujo e com pessoas pouco interessantes, com o calor a pesar na procura de Agências Imobiliárias, começasse a perceber que o Rio de Janeiro não é tão acessível como os antigos visitantes lusos nos transmitiram. Dos apartamentos que visitamos resulta um misto desconfotrável de engano e incredualidade. As casas são surpreendentemente caras e deveras pequenas.
Resultam os primeiros suspiros, onde nos fomos meter. Os planos de aquisições de roupas e tantas outras coisas, começam a falhar e com o auxílio dos agentes imobiliários, descortina-se que o Rio de Janeiro é tão ou mais caro comparitivamente a Lisboa para um nível médio de vida a que nos habituámos. Na tentativa falhada de encontrar um sítio ao qual se pudesse chamar de casa, retornamos ao hotel, numa cidade que afinal não é tão maravilhosa e que tinha acabado de atraiçoar a nossa imaginação.
Através de o visionamento de muitos apartamentos, resguardou-se um menos mau, humilde e caro, fica o sentimento que as coisas acabaram de se complicar ali, e que aquele apartamento será a escolha mais acertada. Nem se quer nos dirigimos á praia, dado o meu receio de nova decepção, mesmo esta se encontrar no quarteirão abaixo, a poucos metros. Ainda não, ainda não estou pronto para uma potencial decepção.
A noite resume-se num planeamento e idéias para mudar o rumo das coisas, vamos tentar dar uma segunda hipótese... talvez tenhamos tido azar.

quinta-feira, agosto 05, 2004

A chegada ao "destino"

O rio de janeiro começa-se a mostrar timidamente, mas rapidamente demonstra a sua grandeza, não é a nossa terra, mas esta cidade sobrevoada e com as suas luzes, provocam um encanto aos que querem colocar rapidamente os pés em terra e finalmente suspirar de alívio, com um " Já chegámos"...
Do procedimento normal de recolha de bagagens, facilmente nos transportamos para a saída do aeroporto, da forma de requisitar os serviços de um táxi, resulta alguma confusão na forma de pagar.
Pois o pagamento era feito inicialmente, ainda no aeroporto, o pagamento em dólares também não ajudou resultando numa idéia de suspeita nos valores que tiveram que ser efectuados.
Das histórias e de toda a idéia que nos foi colocada na cabeça, chegamos com o sentimento que a cidade maravilhosa encontra-se em "estado de sítio" dado ao crime que é tão falado e tão conectado a esta cidade. Mas o transporte até ao hotel, resulta da primeira impressão desta metrópole que alberga 12 milhões de habitantes. Confraterniza-se com o motorista com a paixão deste dois países irmãos, o futebol discute-se jogadores que actuam no campeonato nacional português, demonstra-se interesse pelo campeonato brasileiro, enaltece o feito do pentacampeonato do mundo por parte do Brasil e de uma forma orgulhosa, centrasse a atenção para a boa organização do EURO 2004 e dos finalistas Portugueses.
Á medida que a viagem de desenrola, dá tempo para se apreciar esta enorme cidade, numa forma quase tímida e encantadora. Começasse a respirar uma nova cultura, e a estabelecer diferenças com a nossa pátria.
Rapidamente temos a noção que o perto de um brasileiro é longe para o português, que o carioca fala de 10km como o alfacinha fala de 1km, tudo parece maior, mas não o é, neste orgulho de ser português, apercebemos como um país tão pequeno de área consegue ser tão grande de cultura e história. A chegada ao hotel apenas se pode resumir em dois forasteiros, desejosos de uma cama e repouso de uma viagem de 13 horas. "

O Primeiro contacto com o Brasil

Depois de uma viagem cansativa e longa, chegamos a São Paulo, para fazer escala para o Rio. O aeroporto, com aspecto de parte dele estar em construção, demonstra-se impessoal e tristonho. No seu toque frio, neste circulam pessoas de expressão cansada e sem vontade de comunicar, tal expressão de almas penadas.
Num misto de culturas e num âmbito bem internacional, adivinham-se nacionalidades e comentam-se as diferenças culturais. A chamada para o avião, revelasse em hora tardia e atrasada, finalmente vamos para o Rio.




03-08-2004

"A Preparação"

Os últimos dias em Lisboa foram uma correria, nem tão pouco me vejo a acordar numa cama diferente que a do meu quarto, a privacidade, a aventura e a novidade ainda não tomaram qualquer tipo de parte no meu pensamento, as despedidas por vezes têm momentos que quase se sente que se vai deixar amigos e família para trás durante uns bons meses. É forte o desejo de ficar, mas a curiosidade, o desejo de aventura e a oportunidade de uma vida está preparada e a poucos dias, horas, momentos.
Os últimos abraços, pesam nos braços, que por vezes já se sentem saudosos. Respira-se um misto de incredualidade dos tempos vindouros e do presente. Misturam-se sensações difíceis de viver e quase de uma forma atordoada, começa-se a ver um local que afinal já não parece tão longe.
Resolve-se os últimos problemas burocráticos, descortina-se planos e estabelece-se metas para uma rápida integração.
Com o auxílio do telefone, dá-se as boas aos mais desatentos e apesar de sempre se pensar numa forma e esperar ter um tempo para nos despedirmos desta ou daquela pessoa, tudo cai por terra limitando-me ás pessoas mais importantes e as mais chegadas nos últimos tempos.
Na faculdade, entre amigos respira-se o espiríto de Erasmus, estabelece-se as últimas apostas, imaginam-se aventuras e adivinha-se o futuro. Todos os planos que se pensam, resultam numa equação com demasiadas equações e com ainda mais incógnitas. Será que volto, como volto, como será se voltar.
Planos de uma vida parecem fragilizados com tal solução para esta equação tão complexa, as perguntas do será que estou a fazer bem surgem á medida que se aproxima o dia, as famosas festas de Erasmus e toda experiência que se ouviu deste ou de outro, passam para outro plano quando se começa a sentir que esta é a nossa casa onde estão as nossas raízes e quem nos quer bem. Tal como este texto rapidamente chega a noite da véspera do vôo, uma noite em branco a empacotar e a rectificar a mala, acaba com as
insónias com a companhia do nosso melhor amigo que também ele atravessa tempos difiçeis.

04-08-2004
"O amanhecer de uma aventura"

Com uma hora de sono e várias malas para colocar a caminho, começa a parte que talvez mais pese nas pessoas que gostam de nós, sempre me vou e irá ser hoje. Os últimos conselhos de um pai já saudoso, de uma mãe preocupada e uma irmã incentivadora, resultam no espirito duma familía que vê o seu filho mais novo ainda num estado de indiferença e sem perceber bem o que se está a passar.
Numa despedida relâmpago, despeço-me do meu pai, de forma a não pesar e de forma a ficar acentuado um até breve,despedimo-nos rapidamente e saudosamente. A despedida da minha irmã resulta duma forma muito mais relaxada, dada a facilidade que a minha irmã se mostrou disponível em dar todas as informações que se passam em Portugal e não ter nenhum problema em me chatear o "cachimbo".
Levo o meu canito, para uma volta de despedida, as últimas festas no meu Ace, que por vezes até parece se aperceber do que se está a passar e se mostra bem carinhoso. Começa-se a colocar as malas para evitar atrasos e é quando chega o companheiro de viagem, de aventura e de partilha da nossa língua materna sem sotaque (apesar de por vezes não perceber o que ele diz).
Faço a despedida a uma mãe que todas as forças tenta não largar nenhuma lágrima e mostrar que foi uma escolha acertada e que assim nada custa. Vários beijos maternos encerram a despedida familiar.
Despeço-me do meu quarto, da minha casa onde vivo á 15 anos, do bairro... A caminho da casa do André brinca-se com a situação,partilhando estes sentimentos e a discutir-se como foi a minha despedida e como será a despedida dele.
O André numa forma máscula e na sua verdadeira postura de "homem não chora" realiza verdadeiras operações de policia especial na sua despedida, entrando, resgatando os reféns e matando ali tudo e todos.
Feitas as despedidas,começamos a pouco e pouco a despedir da nossa cidade, ao chegar ao aeroporto, não se sente nenhum sentimento em particular. Os últimos momentos em Lisboa, servem para nos despedirmos do pai do Bola, e de um amigo do pai do Bola. Na zona da free shop e já á espera de partir, realizam-se os últimos telefonemas e ainda dá tempo para falar e enviar a mensagem aquela pessoa bem especial. Cumprindo os procedimentos normais de um vôo, entramos então no avião. Acomodamo-nos para a longa viagem pela frente, sem dar conta, ouvimos o nome do comandante e numa rápida descolagem, começamos a subir e a afastar de Lisboa, de Portugal...

quarta-feira, agosto 04, 2004

O amanhecer de uma aventura

Com uma hora de sono e várias malas para colocar a caminho, começa a parte que talvez mais pese nas pessoas que gostam de nós, sempre me vou e irá ser hoje. Os últimos conselhos de um pai já saudoso, de uma mãe preocupada e uma irmã incentivadora, resultam no espírito duma família que vê o seu filho mais novo ainda num estado de indiferença e sem perceber bem o que se está a passar. Numa despedida relâmpago, despeço-me do meu pai, de forma a não pesar e de forma a ficar acentuado um até breve,despedimo-nos rapidamente e saudosamente. A despedida da minha irmã resulta duma forma muito mais relaxada, dada a facilidade que a minha irmã se mostrou disponível em dar todas as informações que se passam em Portugal e não ter nenhum problema em me chatear o "cachimbo".
Levo o meu canito, para uma volta de despedida, as últimas festas no meu Ace, que por vezes até parece se aperceber do que se está a passar e se mostra bem carinhoso. Começa-se a colocar as malas para evitar atrasos e é quando chega o companheiro de viagem, de aventura e de partilha da nossa língua materna sem sotaque "apesar de por vezes não perceber o que ele diz"
Faço a despedida a uma mãe que todas as forças tenta não largar nenhuma lágrima e mostrar que foi uma escolha acertada e que assim nada custa. Vários beijos maternos encerram a despedida familiar.
Despeço-me do meu quarto, da minha casa onde vivo á 15 anos, do bairro... A caminho da casa do André brinca-se com a situação,partilhando estes sentimentos e a discutir-se como foi a minha despedida e como será a despedida dele.
O André numa forma máscula e na sua verdadeira postura de "homem não chora" realiza verdadeiras operações de policia especial na sua despedida, entrando, resgatando os reféns e matando ali tudo e todos.
Feitas as despedidas,começamos a pouco e pouco a despedir da nossa cidade, ao chegar ao aeroporto, não se sente nenhum sentimento em particular. Os últimos momentos em Lisboa, servem para nos despedirmos do pai do Bola, e de um amigo do pai do Bola. Na zona da free shop e já á espera de partir, realizam-se os últimos telefonemas e ainda dá tempo para falar e enviar a mensagem aquela pessoa bem especial.
Cumprindo os procedimentos normais de um vôo, entramos então no avião. Acomodamo-nos para a longa viagem pela frente, sem dar conta, ouvimos o nome do comandante e numa rápida descolagem, começamos a subir e a afastar de Lisboa, de Portugal...

terça-feira, agosto 03, 2004

A Preparação

Os últimos dias em Lisboa foram uma correria, nem tão pouco me vejo a acordar numa cama diferente que a do meu quarto, a privacidade, a aventura e a novidade ainda não tomaram qualquer tipo de parte no meu pensamento, as despedidas por vezes têm momentos que quase se sente que se vai deixar amigos e família para trás durante uns bons meses. É forte o desejo de ficar, mas a curiosidade, o desejo de aventura e a oportunidade de uma vida está preparada e a poucos dias, horas, momentos. Os últimos abraços, pesam nos braços, que por vezes já se sentem saudosos. Respira-se um misto de incredulidade dos tempos vindouros e do presente. Misturam-se sensações difíceis de viver e quase de uma forma atordoada, começa-se a ver um local que afinal já se avizinha. Resolve-se os últimos problemas burocráticos, descortina-se planos e estabelece-se metas para uma rápida integração. Com o auxílio do telefone, dá-se as boas aos mais desatentos e apesar de sempre se pensar numa forma e esperar ter um tempo para nos despedirmos desta ou daquela pessoa, tudo cai por terra limitando-me às pessoas mais importantes e as mais chegadas nos últimos tempos. Na faculdade, entre amigos respira-se o espírito de Erasmus, estabelece-se as últimas apostas, imaginam-se aventuras e adivinha-se o futuro. Todos os planos que se pensam, resultam numa equação com demasiadas equações e com ainda mais incógnitas. Será que volto, como volto, como será se voltar. Planos de uma vida parecem fragilizados com tal solução para esta equação tão complexa, as perguntas do: "será que?", "estou a fazer bem?" surgem à medida que se aproxima o dia, as famosas festas de Erasmus e toda experiência que se ouviu deste ou de outro, passam para outro plano quando se começa a sentir que esta é a nossa casa onde estão as nossas raízes e quem nos quer bem. Tal como este texto, rapidamente chega a noite da véspera do voo, uma noite em branco a empacotar e a rectificar a mala, acabam em insónias e com a companhia do nosso melhor amigo que também ele atravessa tempos difíceis.